Nos dois
capítulos anteriores, vimos que toda a obra que Deus fez e toda a graça que Ele
nos deu quando fomos salvos, não podem ser anuladas com o passar do tempo.
Podemos dizer ousadamente que uma vez salvos, somos salvos eternamente. Uma vez
que Deus nos mostrou misericórdia, estamos eternamente debaixo da Sua misericórdia.
Uma vez que temos a vida eterna do Filho de Deus, jamais iremos perdê-la.
Embora eu seja muito ousado ao dizer isso, nós ainda somos seres humanos. Até
hoje muitos obreiros cristãos não vêem essa questão. Como o coração do homem
está cheio da carne e da lei, ele não consegue entender como a graça de Deus é
tão grande. É incrível demais para ele.
É natural o homem pensar dessa maneira. O homem está sujeito à carne e a carne
está sujeita à lei. A carne conhece somente a lei; não conhece a graça.
Qualquer coisa que se origine da carne é da lei. Mas tudo o que se origina de
Deus, do Espírito Santo e da graça, é da fé.
No mundo nada sabemos sobre graça e dom. Tudo o que sabemos é barganhar. O dia
todo, nossa mente está ocupada com o quanto devemos trabalhar e com o quanto receberemos
por nosso trabalho. Achamos que para ganhar algo, temos de trabalhar para isso.
Essa é a nossa vida. Durante anos, temos barganhado nossa vida, nosso tempo e
nossa energia. Achamos que se alguém deve pagar determinada quantia, ele primeiramente
precisa ter recebido essa mesma quantia. Se recebeu determinada quantia, então
deve oferecer certas coisas em troca. Nossa vida é uma vida de barganha. Por
vivermos dessa maneira, também pensamos que a graça de Deus e a vida eterna em
relação a nós estão no mesmo princípio de barganha. Quando ouvimos o evangelho,
vemos a luz por algum tempo. Naquele momento percebemos que a graça é gratuita
e que não é uma questão de barganha. Mas essa percepção parece acontecer
somente na hora em
que fomos salvos. Muitas pessoas ainda não foram libertadas do conceito de que
a graça de Deus é um empréstimo para nós. Eles pensam que se não agirem bem,
Deus irá pedir de volta a graça que Ele deu. Mas se um homem conhece a Bíblia e
tem clareza sobre os dez itens da verdade mencionados nos capítulos anteriores
desse livro, ele, no mínimo, deve admitir que tal coisa jamais pode existir.
Todos os que conhecem a Palavra de Deus nunca devem duvidar do que sabem por
causa daquilo que não sabem. Desde que alguém tenha visto claramente o selar e
o penhor do Espírito Santo, a vida eterna, a mão do Senhor, o Corpo de Cristo,
o templo de Deus e as promessas do Senhor, ele não pode anular o que sabe com
problemas a respeito de temas que ignora ou não entende. Não podemos anular os
fatos que conhecemos. Todavia ainda há coisas que desconhecemos. O que faremos
agora é analisar alguns dos pontos que não conhecemos.
Tomaremos alguns dos argumentos supostamente contraditórios — especialmente os
mais convincentes — e os consideraremos um por um.
O Conhecimento da Salvação Eterna Não Leva ao Pecado Voluntário
Antes de considerarmos algumas questões nas Escrituras, temos de considerar uma
forte objeção e dúvida que alguns levantam. Alguns pensam que se uma pessoa é
“uma vez salva, salva para sempre”, tal pessoa certamente pecará mais
livremente. Este pode ser considerado o mais comum e mais forte ponto de
objeção. Se um homem sabe que é eternamente salvo e que nunca será condenado,
não se tornará ele desleixado, passando a cometer toda sorte de pecados e
ousando fazer qualquer coisa? Se tal fosse o caso, não seria muito perigoso
esse tipo de ensinamento?
Lembro-me de que certa vez um homem escreveu uma carta para o senhor Mackintosh
— o a utor de um comentário sobre o Pentateuco. Naquela carta esse homem contou
ao senhor Mackintosh que, na semana anterior, ouvira um pregador fazendo uma
pregação sobre o assunto de sermos filhos de Deus eternamente. Um jovem na
audiência disse que já que era assim, ele agora poderia fazer tudo o que quisesse.
Em poucos dias, o jovem cometeu todo tipo de pecados.
O escritor da carta reclamou que por causa do ensinamento de “uma vez filho,
eternamente filho”, os jovens têm sido prejudicados. Em resposta à sua carta, o
senhor Mackintosh escreveu: “É verdade que uma vez que alguém se torne filho de
Deus, ele o será eternamente. Mas, em primeiro lugar, duvido que o jovem que
você mencionou fosse filho de Deus. Eu tenho um filho.
Suponha que eu diga para meu filho que uma vez que é meu filho, ele o será
eternamente. Ao escutar isso, será que meu filho ficaria tão alegre que quebraria a janela com
uma pedra, jogaria os pratos no chão, puxaria a toalha da mesa, derrubando as
vasilhas no chão e faria todo tipo de coisas mal-educadas diante de mim? Pode existir tal tipo de pessoa? É verdade
que, quando uma pessoa se torna filho, ele é filho eternamente. Mas ele não irá
agir de modo desordenado, somente porque é filho. Se ele agir desordenadamente,
duvido que seja filho realmente”.
De acordo com a Bíblia, nada há de errado com a palavra do pregador. Mas a ação
do jovem está totalmente errada. Para determinar se um ensinamento está certo,
podemos julgá-lo apenas pela verdade na Bíblia; não podemos determiná-lo pela conduta do homem.
Como mestres da Bíblia, podemos apenas ser responsáveis por ensinar aos outros
o que a Bíblia diz. Não podemos ser responsáveis por ensinar o que a Bíblia
deveria dizer. Não temos essa autoridade.
Sabemos que a Palavra de Deus diz que uma vez que somos filhos, somos filhos
eternamente.
Não sabemos qual será o resultado desse conhecimento. O problema hoje é que o
homem não julga a Palavra de Deus pela Palavra de Deus. O homem gosta de tomar alguém
como exemplo e dizer que já que essa pessoa é da maneira que é, como se pode
dizer que um homem é “uma vez salvo, salvo eternamente”? É verdade que alguns
cristãos fracassaram e são fracos. Também é verdade que alguns são falsos. É
verdade que existem m ilhões de cristãos que têm experiências diferentes.
Somente podemos julgá-los pela verdade da Bíblia. Não podemos julgar a verdade
da Bíblia pelo que os outros têm feito. Podemos somente provar que estão
errados pela verdade da Bíblia. Não podemos condenar a verdade da Bíblia por
causa do que eles têm feito.
O ponto de partida de um cristão é a Palavra de Deus, não a conduta do homem.
Hoje você pode perguntar-me se ainda é salvo, pois mentiu ontem. Eu não posso
afirmar se você é salvo ou não baseado em se sua mentira foi uma boa mentira ou má mentira, uma
mentirinha ou uma mentirona. Posso somente dizer-lhe o que a verdade da Bíblia diz. Se não
for assim, não serão necessários o trono do julgamento e o grande trono branco. Somente
podemos atentar para o que a Palavra de Deus diz. Podemos apenas julgar as
atitudes do homem pela Palavra de Deus.
Nunca podemos julgar a Palavra de Deus pelas atitudes do homem. É a Palavra de
Deus que diz que uma vez que o homem é salvo, ele é salvo eternamente. Não há nada de errado
nisso.
Embora seja errado o homem agir irresponsavelmente por causa dessa palavra, ainda
devemos julgar tudo pela Palavra de Deus. A Palavra de Deus é nossa constituição plena
e nosso tribunal mais elevado.
Oposição à Salvação Eterna Devido ao Desconhecimento a Respeito Dela
Certa vez ouvi um evangelista de Xangai dizer que o ensinamento de “uma vez salvo, eternamente salvo” torna uma pessoa irresponsável, displicente e pouco
vigilante. Somente se pode fazer tal afirmação quando não se conhece plenamente a Palavra de Deus.
Somente os que não entendem a salvação de Deus podem dizer que um homem será irresponsável e
displicente porque sabe que é eternamente salvo.
Tais pessoas ignoram pelo menos três coisas. Primeiro, desconhecem o caminho da salvação de Deus. Eles não sabem como Deus os salvou. Dizendo isso, não estamos
falando sobre como somos preservados por Deus, mas a maneira pela qual Deus nos salvou.
Deus não nos ameaça de irmos para o inferno a fim de crermos em Jesus. Ele não “empurra”
as pessoas para o céu. O homem sempre pensa que se não se arrepender dos seus pecados, não
mudar um pouco e não fizer obras louváveis, ele não poderá ser salvo. Por essa razão,
continua a procurar caminhos para ser salvo. É essa a maneira de Deus salvar-nos? Será que Deus
coloca a questão do pecado continuamente diante do homem, intimidando-o a resolvê-la de
imediato? Será que Deus ameaça as pessoas com o tribunal de julgamento e Sua ira, forçando-as a
fazer várias coisas, e mantendo em suspense quem não sabe como será seu futuro, para que
lutem com todas as suas forças? Se um homem tem algum conhecimento de Deus dirá não milhares de
vezes a essas questões. Os que não conhecem Deus irão dizer que essa é uma boa maneira
de fazer com que o coração do homem entre em pânico, trema e fique em suspense, sem saber o
que virá depois. Mas os que entendem a salvação de Deus sabem que isso é uma ameaça
maligna do inferno. Essas não são as boas novas. Deus disse que o julgamento está
consumado. O problema do pecado está solucionado. A maneira da salvação de Deus
não é deixar-nos em suspense ou amedrontar-nos para que O busquemos. Ele nunca
coagiu-nos à santidade, justiça e santificação.
Ele disse que tudo está preparado. Os servos disse ram: tudo já está preparado
(Lc 14:17); Deus preparou tudo. Agora Ele está vindo para dar coisas a você. Porém, hoje,
invertemos as coisas.
Achamos que o homem precisa ser amedrontado até tornar-se bom. Por favor,
lembre-se de que um homem pode até desmaiar de medo, mas jamais pode tornar-se bom pelo medo.
Segundo, as pessoas mencionadas acima desconhecem não somente a maneira da salvação
de Deus, como também o conteúdo dessa salvação. Que é salvação? Não é simplesmente
Deus resolver nosso problema de pecado por meio de Seu Filho. A salvação não somente
faz com que nossos pecados sejam perdoados, como também nos dá vida eterna. A salvação
de Deus justifica-nos e também nos dá o Filho de Deus, colocando-O dentro de
nós. A salvação não somente faz com que não sejamos condenados por Deus, mas
coloca o Espírito Santo dentro de nós. Não somente nos capacita a, futuramente,
viver para sempre, mas transmite-nos hoje a natureza de Deus. Esse é o conteúdo da salvação. Não somente temos
perdão e justificação, e não somente não somos condenados e julga dos, mas temos a
natureza de Deus, Cristo e o Espírito Santo habitando em nós. Como resultado, o homem irá
espontaneamente ter um novo desejo, uma nova inclinação e um novo anelo. A salvação de Deus
acrescenta-nos algo novo.
Alguns dizem que a salvação é objetiva. Contudo há muitos aspectos subjetivos.
A salvação não apenas solucionou o problema do pecado diante de Deus, como
também resolveu muitos outros problemas em nosso interior. Dentro de nós, temos
agora uma nova vida, uma nova natureza, o Senhor e o Espírito Santo. Sendo assim, podemos ser negligentes?
Não estou dizendo que um cristão jamais pecará, mas estou dizendo que se um
cristão peca, isso é um sofrimento para ele, não uma alegria. Se um homem pensa
que recebeu uma licença e um certificado para pecar somente porque agora sabe
que é eternamente salvo, e se tal pessoa não sente nada quando peca, tampouco
sofre, duvido que seja um verdadeiro filho de Deus. Estou dizendo que um homem
é eternamente filho de Deus somente depois de ter-se tornado filho de Deus. Não
estou afirmando que alguém pode ser filho de Deus eternamente sem nunca ter-se
tornado filho Dele. O Senhor está dentro de nós. Ele nos proíbe de pecar.
Terceiro, uma pessoa como a mencionada acima não conhece o resultado da
salvação de Deus. Para os que foram salvos por Deus assim como nós, existe certamente uma
conseqüência, um resultado e um fim. Qual é esse resultado? Depois que um homem
é salvo, pode, então, transgredir a lei somente porque agora está justificado
em Cristo? Pode agora livremente transgredir os Dez Mandamentos do começo ao
fim? Pode agora fazer tudo o que quer? Por favor, leia as palavras de Paulo aos
Filipenses: “Quanto ao zelo, perseguidor da Igreja, quanto à justiça que há na
lei, irrepreensível. Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por
causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da
sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus meu Senhor; por amor do qual perdi
todas as coisas e as considero como refugo para ganhar a Cristo e ser achado
nele, não tendo justiça própria, que procede da lei, senão a que é mediante a
fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé” (3:6-9). Paulo
tinha justiça pela fé em Cristo. Ele recebeu justiça pela fé
em Deus e não pela obra da lei. Estava ele, então, livre para fazer qualquer
coisa, ser irresponsável e negligente simplesmente por causa disso? Ele disse
que o que para ele era lucro, considerava como perda por causa da sublimidade
do conhecimento de Cristo Jesus. Por causa de Cristo, ele sofreu a perda de
todas as coisas e as considerava como refugo. Portanto, em todo cristão
regenerado, maduro ou imaturo, existe um desejo de santidade, um amor de Deus e
um coração de agradar a Cristo. Não sei porque é desse modo. Somente sei que
esse é o resultado da salvação.
Você pode argumentar que por ser apóstolo, Paulo podia falar como falou em
Filipenses 3.
Vamos agora observar os cristãos comuns. Em 2 Coríntios 5:14-15 diz-se: “Pois o
amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo,
todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais
para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”. Paulo aqui
nos dá uma resposta. Um homem não será irresponsável e negligente somente
porque Deus o salvou e Cristo ressuscitou por ele. Pelo contrário, por causa da
morte e ressurreição de Cristo, uma pessoa irá “viver por aquele que por ele
morreu e ressuscitou”. Hoje, enquanto ela está vivendo na terra, ela não vive
para si mesma, mas para o Senhor que morreu e ressuscitou por ela.
Portanto, a razão de uma pessoa dizer que pode ser negligente por saber que é eternamente
salva, deve-se a três coisas: Primeiro: ela desconhece a maneira, o processo da
salvação; segundo, ela desconhece o conteúdo da salvação e terceiro, ela não
conhece o resultado da salvação, ou seja, não sabe o que a salvação pode fazer
pelo homem. Se você vir essas três coisas, imediatamente verá que a salvação
eterna irá não somente guardá-lo de viver desregradamente, como também irá torná-lo piedoso. A salvação eterna irá
guardar-nos da displicência e nos tornará sóbrios.
Pedro diz-nos em sua segunda carta que: “Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos
novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (2 Pe 3:13). Estaremos
livres para ser negligentes, agora que sabemos aonde estamos indo? No versículo
seguinte, Pedro continua dizendo: “Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos
por serdes achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis”. Por sabermos que
estaremos com Ele, não podemos ser negligentes ou agir de qualquer maneira. Se não sabemos aonde
estamos indo, estaremos andando em círculos. Mas quem tem um objetivo, que sabe para onde
está indo, certamente escolherá o caminho mais reto.
Três Fatos a Ser Entendidos na Palavra de Deus
Agora vamos considerar algumas porções das Escrituras que aparentemente falam
de perdição após a salvação. Antes disso, precisamos conhecer alguns fatos.
Primeiro, a Palavra de Deus jamais entra em conflito consigo mesma. Deus nunca
diz, por um lado, que Suas ovelhas jamais perecerão ou que jamais perderão a vida eterna e, por outro, diz ao
homem que ele irá perecer. O homem pode dizer coisas erradas, mas a obra de Deus é uma obra de
glória. Deus jamais diz algo por engano. Se isso é tão claro do lado positivo, nunca pode
ser contraditório do lado negativo. As coisas do lado negativo devem referir-se a outros assuntos
relacionados com Deus.
Segundo, temos de gastar tempo para identificar essas passagens. Entre elas
vemos tanto os genuinamente salvos como os falsos "salvos". O Senhor Jesus teve
um falso discípulo, Judas.
Quando Pedro estava batizando as pessoas, havia uma pessoa chamada Simão que
pode não ter sido salva. Paulo também encontrou muitos falsos irmãos. Pedro disse que havia
muitos falsos profetas e João disse que muitos haviam saído do meio deles e provado não ser
deles. Portanto, na Bíblia há os que são genuinamente salvos e os que são nominalmente salvos.
Alguns não são salvos. Claro que não poderão fingir ou esconder isso para sempre. Se pudermos
diferenciar claramente entre esses tipos de pessoas, os problemas serão resolvidos. Mas se
você misturá-los, será como misturar o joio com o trigo. O resultado será muita
confusão.
Terceiro, muitos trechos da Bíblia falam da disciplina dos cristãos nesta era e
não da perdição eterna. Não pense que pelo fato de sermos eternamente salvos, não há a
disciplina.
Certamente, há disciplina. Se hoje você falhar e tornar-se fraco, Deus irá
discipliná-lo. Existe uma diferença entre disciplina e perdição eterna. Não
podemos misturar perdição eterna com disciplina.
Muitos versículos que parecem falar de os cristãos perderem a salvação, falam,
na verdade, de os cristãos serem disciplinados. Não há apenas a disciplina e a
falsidade, há também a questão do reino e da recompensa. Essas poucas coisas
são fundamentalmente diferentes. Muitas vezes aplicamos à eternidade palavras que se referem ao reino, e palavras relativas à
recompensa, à questão da vida eterna. Naturalmente isso causa muitos problemas. Temos de
perceber que há diferença entre o reino e a salvação, e há diferença entre vida eterna e recompensa.
O modo como Deus irá tratar conosco no milênio é diferente de como Ele nos
tratará na eternidade. Há uma diferença na maneira com que Deus trata o homem
no mundo restaurado e no novo mundo. O milênio está relacionado com a justiça;
está relacionado com nossas obras e com nosso andar depois que nos tornamos
cristãos. O reino milenar tem o propósito de julgar nosso andar. Mas na eternidade,
no novo céu e na nova terra, tudo é graça gratuita. “Aquele que tem sede, venha
e quem quiser receba de graça a água da vida” (Ap 22:17). Essa palavra será
falada depois que o novo céu e nova terra vierem.
Portanto, na Bíblia, dom gratuito e reino são duas coisas totalmente
diferentes. Eternidade e reino são também duas coisas inteiramente diferentes. Ninguém pode pôr as
duas coisas juntas.
No reino milenar vindouro, Deus recompensará o homem de maneira específica.
Deus recompensará o homem com sua coroa de justiça e com glória, com base nas suas
obras. Mas tão logo o reino tiver acabado e o novo céu e a nova terra começarem,
tudo estará relacionado com a graça. Todos os que confiam na graça do Senhor
Jesus irão entrar, porque lá não haverá absolutamente nada relacionado com as obras. O andar de uma pessoa está
relacionado com a recompensa, enquanto salvação e justificação para o pecador estão relacionadas
com a obra do Senhor Jesus. Temos de discernir claramente essas duas coisas. Caso contrário,
quando a Bíblia fala da perda do reino, você pode estar pensando em perda na eternidade, e
quando Deus fala de recompensa, você pode estar pensando a respeito de salvação. É verdade que a salvação do homem é eterna. Mas antes que essa salvação seja manifestada, Deus primeiro
manifestará a recompensa no reino milenar. Não se pode misturar essas duas coisas.
Além disso, há outro assunto que o protestantismo sepultou por longo tempo.
Embora alguns possam achar que se trata de algo novo, na verdade, isso foi registrado
na Bíblia há muito tempo. Na Bíblia há pelo menos três coisas que têm de ser
diferenciadas umas das outras.
Mencionamos duas delas que são a disciplina que um cristão recebe nesta era e a
perda do galardão no reino. Se fracassarmos, não apenas seremos disciplinados hoje, como
também perderemos a recompensa no reino. Entretanto ainda há algo mais. No reino há
punição. A Bíblia é bem clara a respeito dessa verdade. Quando uma pessoa crê
no Senhor e é salva, é verdade que o problema da salvação está resolvido. É
também verdade que as questões concernentes ao novo céu e nova terra e à
salvação eterna estão estabelecidas. Mas se alguém continua a pecar e não se
arrepende, não somente estará sob o governo e a disciplina de Deus hoje,
perdendo a recompensa no reino, como também sofrerá alguma punição no período
do reino.
Alguns disseram-nos que perder a recompensa já é punição suficiente. Mas os
derrotados ainda serão punidos. A Bíblia reserva bastante espaço para falar sobre isso. A
Bíblia não apenas diz que os cristãos podem não receber a recompensa no reino, como também
diz-nos que se os cristãos pecarem e não se arrependerem, receberão uma punição severa no tempo
do reino.
Temos de ter clareza sobre este assunto. A questão da salvação eterna não deve
ser misturada com a questão de cristãos nominais. A questão da salvação eterna também não
deve ser misturada com a disciplina nesta era nem com a questão de perder a recompensa
no reino, e também não deve ser misturada com a questão da punição no reino. Não se pode
colocar esses quatro assuntos distintos e fazer uma “salada” deles. Se alguém fizer isso, a
obra de Deus tornar-se-á uma mistura de tudo o que não se parece com nada. Se
Deus fez as distinções e você as ignora, você terá muitos problemas insolúveis.
Hoje, primeiramente vamos retirar essas quatro coisas. Colocaremos de lado
todas as palavras na Bíblia que falam sobre cristãos nominais, disciplina dos cristãos,
perda da recompensa e punição no reino para os cristãos. Nos próximos capítulos
trataremos de cada um desses assuntos. Agora, falaremos sobre os versículos que
não estão relacionados com esses quatro tipos de casos. Trataremos sobre os
versículos que aparentemente falam de perdição após a salvação.
O Argumento Baseado em Ezequiel 18
Primeiramente começaremos pelo Antigo Testamento. Consideremos Ezequiel 18:24 e
26 que diz: “Mas, desviando-se o justo da sua justiça e cometendo iniquidade,
fazendo segundo todas as abominações que faz o perverso, acaso, viverá? De
todos os atos de justiça que tiver praticado não se fará memória; na sua
transgressão com que transgrediu e no seu pecado que cometeu, neles morrerá.
Desviando-se o justo da sua justiça e cometendo iniquidade, morrerá por causa dela;
na iniquidade que cometeu, morrerá”. Esses dois versículos podem ser
considerados como os principais versículos no Antigo Testamento sobre esse
assunto. Nenhum versículo no Antigo Testamento é tão importante como esses, que
são os mais comuns e mais frequentemente citados. Portanto, devemos dispensar
cuidadosa consideração a esses dois versículos.
Ezequiel 18 jamais fala de salvação. Não fala nada sobre Jesus morrer pelo
homem nem sobre crer no Senhor para receber vida; não fala como se trata do problema do
pecado. Nada menciona sobre o evangelho ou sobre Cristo. Se alguém tenta forçar a aplicação
dessa passagem ao evangelho, ele está confundindo o assunto. Ezequiel 18 fala
do governo de Deus. O que precede essa passagem são coisas relacionadas com o
governo de Deus. Deve-se lembrar de que as coisas relacionadas com o governo de
Deus são totalmente diferentes das coisas relacionadas com a salvação. O
governo de Deus refere-se a como Deus trabalha, administra e arranja as coisas
de acordo com Seu plano e vontade. Se um homem não entende a diferença entre a salvação
de Deus e Seu governo, e se ele mistura os dois, está misturando o tribunal de
Deus com a família de Deus, o pai com o juiz; está confundindo a palavra que o
pai fala aos servos com a palavra falada aos filhos; está confundindo a atitude
que um homem tem em relação a seus empregados com a atitude que tem em relação
a sua esposa e filhos. Governo é governo. Governo não é o mesmo que salvação. A
diferença entre governo e salvação é tão grande quanto a distância entre o polo
norte e o polo sul.
Ezequiel 18 não nos mostra a salvação. Seu assunto é como os israelitas devem
viver na terra; não fala sobre vida eterna. Ele fala sobre o problema com o corpo; não
trata da questão de perdição da alma. Em vez disso, mostra-nos que se um homem não guardar o
mandamento de Deus, fisicamente morrerá cedo. É uma questão de existência física em vez de
salvação espiritual.
Ninguém pode dizer que os dentes dos filhos podem embotar somente porque o pai
comeu uvas verdes. Se alguém sentado perto de você comer uvas verdes, você poderá sentir
algo como que a mesma acidez em sua própria boca. Mas se um pai se rebela
contra a Palavra de Deus e peca, isso nada tem a ver com o filho. Se o pai é que tem de morrer, o filho não pode
ser substituto seu.
Se um homem peca, ele próprio deve ser excluído da terra prometida. Essa
passagem fala sobre a morte física. Isso é o que o final do versículo 2 nos
diz. Então, depois dessas palavras do versículo 3, o capítulo dezoito repete
que os que pecarem morrerão. Isso não é morte espiritual. Em vez disso, é o que
Adão experimentou, a morte do corpo. Se um homem peca, seus dias na terra serão
encurtados por Deus. A partir do versículo 3, esse capítulo nos conta
repetidamente quem pode viver na terra por meio da bênção de Jeová. Esse é o
contexto das palavras que precedem o versículo 24. Se um homem era justo e
agora tornou-se injusto, morrerá. Toda sua justiça anterior não será lembrada.
Isso nada tem a ver com a salvação. Isso é um assunto do governo de Deus, que
nos diz por que Deus não deixaria um homem viver na terra; e ela explica por
que muitas pessoas morrem prematuramente. É uma palavra para os judeus sobre o
julgamento do pecado. Nada tem a ver conosco.
O Argumento Baseado em Mateus 24
Vamos dar uma olhada no Novo Testamento. Mateus 24:13 diz: “Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo”. Muitos, quando vêem esse versículo,
pulam de surpresa.
Pensam que esse versículo é certamente sobre salvação e não sobre o governo de
Deus, como falei. Por exemplo, alguns diriam que como perdi minha paciência ontem e não
perseverei, agora não sou mais salvo. Eles diriam que é verdade que uma pessoa
tem de crer no Senhor Jesus para ser salva. Mas também diriam que a pessoa
precisa perseverar. Mas se você diz isso, está distorcendo a Palavra de Deus.
Você colocou a Palavra de Deus de ponta-cabeça e tirou uma sentença de seu
contexto. Não é de se admirar que confundamos a Palavra de Deus! Se você quiser
entender o significado da perseverança nesse versículo, terá de conhecer o que
foi dito antes do versículo 13; você também terá de saber o que foi falado
depois do versículo 13.
O versículo 13 não está falando sobre os cristãos de forma nenhuma. Está
falando sobre os judeus. Que evidência temos disso? Primeiro, na passagem seguinte temos o
Santo Lugar, o templo e o sábado. Tudo isso é assunto dos judeus. O que esses versículos dizem
é que os judeus devem fugir para o campo e orar para que sua fuga não ocorra no
inverno ou no sábado. Quando eles virem o abominável da desolação, ou seja, a
imagem da besta no Santo Lugar, eles terão de fugir; não devem permanecer em
Jerusalém. Se essa palavra fosse para nós, como poderíamos saber essas coisas,
já que estamos em Xangai1 e a imagem da besta aparecerá no templo?
Embora hoje haja comunicação sem fio, o que Mateus está falando aqui é sobre um
conhecimento que vem depois de termos visto algo ao vivo. Somente quem está
perto, como os que estão em Jerusalém, pode ver. Portanto, essa passagem
refere-se somente aos judeus.
Segundo, o tempo nesse versículo não se refere ao tempo dos apóstolos nem se
refere ao tempo da igreja. O tempo falado aqui se refere à grande tribulação, refere-se
aos últimos três anos e meio do final desta era. No começo da tribulação o
anticristo colocará sua imagem no templo.
Essa passagem das Escrituras nada tem a ver com a igreja; refere -se ao futuro
e não o presente.
Não há possibilidade de acontecer isso hoje, porque o anticristo ainda não
veio, sua imagem ainda não foi colocada no templo e a grande tribulação ainda
não começou.
Mateus 24 refere-se à grande tribulação. A salvação mencionada aqui não se
refere à salvação da alma. Em vez disso, refere-se à salvação do corpo. Todos os que
entendem a Bíblia sabem que esse é o período em que o anticristo colocará sua imagem no templo,
forçando os homens a adorá-la e colocando sua marca na fronte das pessoas. Quando todos os
judeus, que adoram e servem a Deus, virem o começo da tribulação, eles não deverão adorar a
imagem nem receber a marca. Por causa disso sofrerão muito. Muitas perseguições virão
sobre eles. É por isso que o Senhor Jesus falou para os judeus fugirem quando
virem a imagem do anticristo no templo.
Se alguém tem bens em casa, não deve preocupar-se em levá-los. Devem
esconder-se rapidamente em lugares seguros. Além do mais, o Senhor disse-lhes que orassem
para que a fuga não ocorresse num sábado (v. 20), porque eles guarda m o
sábado. Seria melhor que as mulheres não estivessem grávidas naquela ocasião,
pois lhes seria difícil escapar; ai das que estiverem amamentando. Melhor seria
se isso não ocorresse no inverno. Eles devem fugir para as montanhas ou para o
campo com a esperança de que não encontrem sofrimento, perseguição e aflição.
Naquele tempo, todas as forças de Roma virão sobre eles como uma rede; eles
sofrerão muitas dificuldades. Muitos versículos em Apocalipse mostram-nos essa
questão. Essas pessoas serão salvas se perseverarem durante essa grande
tribulação. Por estarmos tão preocupados com a questão da salvação, toda vez
que a palavra salvo aparece, aplicamo-la a nós mesmos. Mas aqui essa palavra
não se pode aplicar a nós mesmos. Quem o fizer, estará alterando a Palavra de Deus.
No versículo 22, o Senhor Jesus disse outra palavra: “Não tivessem aqueles dias
sido abreviados, ninguém seria salvo”. Quando o anticristo estiver na terra,
ninguém será capaz de escapar. Graças ao Senhor que o dia do anticristo não
será tão longo. Por causa disso, alguns ainda conseguirão fugir . Quem
perseverar, será salvo. Portanto, a questão da salvação aqui não é uma questão
de vida eterna ou morte eterna. A natureza da salvação mencionada aqui tem
relação com cair ou não nas mãos do anticristo.
O Argumento Baseado em Gálatas 5
Gálatas 5:4 diz: “De Cristo vos desligastes vós que procurais justificar-vos na
lei; da graça decaístes”. Muitos que lêem esse versículo pensam que, primeiramente, pode-se
estar separado de Cristo e que, em segundo lugar, pode-se cair da graça. Tal pessoa certamente
não é salva.
Esse conceito é errado. Temos de perceber os acontecimentos anteriores que
levaram Paulo a escrever a epístola aos gálatas. Quando o claro evangelho de Deus foi pregado
na Galácia, as pessoas dali o ouviram. Depois disso, vieram falsos profetas à Galácia para
pregar o evangelho.
Eles não deturparam a primeira metade do evangelho e, sim, a segunda. A
primeira metade dizia que o homem é salvo somente por confiar em Cristo e
recebê-Lo. Porém, a segunda metade dizia que antes de alguém crer no Senhor
Jesus, ele não consegue ter a justiça da lei; mas depois de receber o Senhor
Jesus, ele deveria ter a justiça da lei. Paulo escreveu aos gálatas somente
para rebater os que ensinavam assim. Ele argumentou que assim como um homem não
pode ter a justiça da lei enquanto ainda é pecador, da mesma maneira, não pode
ter a justiça da lei depois de salvo. Vimos nos capítulos anteriores que
Romanos e Gálatas são diferentes. Romanos diz que enquanto somos pecadores, não
temos a justiça da lei. Gálatas diz que depois que um pecador é salvo ele
também não deve ter a justiça da lei. O assunto desses livros é não ter a
justiça que vem da lei. Os falsos profetas ensinavam que depois que um homem
creu em Cristo, foi salvo e tem a vida eterna, ele tem de ter a justiça da lei.
O primeiro item e a exigência mínima da justiça da lei é a circuncisão.
Depois que você tiver clareza sobre o pano de fundo do livro de Gálatas, você
saberá sobre o que Paulo está falando aqui. No capítulo um, Paulo disse estar
admirado de que os gálatas tivessem tão rapidamente se afastado Daquele que os chamara na graça de Cristo,
para um evangelho diferente. Ele espantou-se de que tivessem si do tão rapidamente
enganados para seguir outro evangelho (v. 6). Também disse que se ele, um anjo ou qualquer
espírito viessem pregar a eles um evangelho diferente daquele que haviam recebido, esses
pregadores seriam anátemas. A palavra anátema é a mais forte palavra de maldição na língua grega.
Ela significa que toda a maldição nos céus recai sobre o amaldiçoado e que
todas as bênçãos são retidas. Paulo disse que o evangelho lhe fora revelado
somente por Deus e que ele o recebera no deserto da Arábia. Essa é a razão pela
qual seu evangelho não podia ter nenhum erro. Gálatas 2 nos diz o que esse
evangelho é. Neste capítulo Pedro fingiu, pois quando viu os judeus vindo da
parte de Tiago (vs. 11-12), ele manteve-se como um judeu. Paulo repreendeu-o
face a face. A circuncisão não significa nada. Cristo já morreu. Já não somos
mais nós que vivemos, mas é Cristo quem vive.
O capítulo 3 diz-nos que o objetivo de Deus não é a lei, mas a promessa. A
razão pela qual Deus deu ao homem a lei era fazer com que o homem primeiro
conhecesse seu pecado e, então, aceitasse o Filho de Deus. O capítulo quatro traz duas outras coisas para
mostrar-nos que é inútil o homem guardar a lei, mesmo que tenha capacidade para
fazê-lo. Hagar representa a lei e Sara a graça. Hagar deve ir embora para que
Sara possa permanecer. Mesmo que possa guardar a lei, você será somente Hagar e
ainda terá de ir embora. A primeira sentença no capítulo cinco é: “Para a
liberdade foi que Cristo nos libertou”. Cristo trouxe-nos à liberdade.
Precisamos permanecer firmes nessa liberdade. Não perca essa liberdade. Se um
homem guardar a circuncisão, Cristo não será de nenhum benefício para ele. Se o
sistema da lei é conservado, Cristo terá de ser negado.
Não se pode guardar um pouquinho a lei e, então, pedir que Cristo faça o resto.
Cristo nunca faz um trabalho de retalhos. Portanto, Paulo disse: “De novo,
testifico a todo homem que se deixa circuncidar; que está obrigado a guardar
toda a lei” (5:3). Por que não escolher outras coisas na lei? Por que tomar a
questão da circuncisão? Por que tomavam somente o que gostavam na lei e não
guardavam toda ela? Se quisessem guardar um item da lei, teriam de guardar toda
a lei; se um permanece, todos devem permanecer. Eles não podem escolher um e
rejeitar todos os outros.
O versículo 4 diz: “De Cristo vos desligastes vós que procurais justificar-vos
na lei; da graça decaístes”. Desligar-se de Cristo significa o mesmo que “Cristo de nada vos
aproveitará” do final do versículo 2. É como se Cristo não fosse expresso em
você. Você não tem perdão, alegria e paz.
Além do mais, se você segue a lei, Cristo será reduzido a nada em você. Aqui
não é uma questão de receber salvação; está-se falando da condição de alguém
salvo. Suponha que um irmão venha a mim e diga: “Sr. Nee, eu devo guardar o
sábado. Se não guardar o sábado, minha salvação não será completa”. Eu sei que
esse irmão é realmente salvo. Não há dúvida disso, mas agora que recebeu tal
ensinamento errado, tenho de dizer-lhe: “Se guardar o sábado, a obra de Cristo
não produzirá nenhum efeito em você. É pela fé que estamos em Cristo. Você
agora voltou para a lei.
Você decaiu da graça”. Assim, não se trata de salvação ou perdição; a questão
aqui é sobre a condição de alguém salvo. Isso mostra-nos que um homem é salvo por Cristo e não
por ele mesmo. Se o homem guardar a lei, não haverá graça.
Sabemos que o pecado leva à perdição, mas precisamos perceber que o livro de
Gálatas não está focalizado no pecado. O livro de Gálatas fala sobre boas obras, fala
sobre guardar a lei de Deus; Gálatas é sobre guardar a lei e circuncisão. Paulo não falou que eles
caíram no pecado.
Disse que caíram da graça. Há uma grande diferença entre os dois; cair da graça
e cair em pecado são duas coisas inteiramente diferentes. Decair da graça é
sair do princípio da graça e seguir novamente o princípio das obras. Hoje há
muitos salvos que decaíram da graça, porém não perderam a salvação. Mesmo nós
somos iguais. Um número incontável de vezes pensamos que estamos terminados.
Mas a nossa salvação é por causa da graça do Senhor Jesus.
Paulo, em Gálatas 5, referiu-se aos que lutaram para vencer, mas caíram da
graça por confiar em suas obras Eles queriam ter boas obras, mas quando as
fizeram, caíram. Que é estar na graça? Graça significa que somos pessoas humildes e desamparadas. Nada
podemos fazer.
Recebemos graça diante de Deus. Estamos numa posição humilde. Estamos confiando
em Deus para que Ele nos dê graça. Como tais, somos os que vivem na graça. Isso não é
uma questão de pecado ou de má conduta. Se um homem confia na sua própria obra, está
obstruindo a graça de Cristo. Paulo censurou os gálatas por seguirem a lei depois de serem salvos.
Eles caíram da graça. Ele os repreendeu por não terem recebido graça e misericórdia
suficientes da parte de Deus. Receber misericórdia e graça de Deus é permitir que Deus trabalhe. Isso
prova que a carne é incapaz e nada pode fazer. Podemos trabalhar em nossa
carne. Mas os que estão na carne não agradam a Deus.
Suponha que determinado irmão seja um homem sem princípios. Todo dia ele ganha
um dólar e cinqüenta centavos, mas gasta dois dólares. À noite tenho pena dele.
Ele precisa de cinqüenta centavos. Dou-lhe sessenta centavos. Ele é assim todos os dias e
tenho pena dele todos os dias. Suponha que um dia ele comece a pensar: “O
senhor Nee tem tido pena de mim e me tem dado dinheiro todos os dias. Mas tenho
de pensar numa maneira de disciplinar-me um pouco”.
Quando ele faz isso, está fazendo o que os gálatas faziam com a circuncisão.
Eles faziam isso na carne e como resultado, decaíram da graça. Tenho encontrado
pessoas assim. Do ponto de vista do mundo, gosto de pessoas assim. Elas não
gostam de que os outros as alimentem o resto de sua vida. Elas querem ser
independentes. Isso é bom. Mas a Bíblia mostra-nos que, no que diz respeito a
Deus, isso está errado, pois tais pessoas caíram da Sua misericórdia. Paulo não
os estava repreendendo por pecarem. Ele os estava repreendendo por fazerem o bem.
Paulo repreendeu-os por fazerem o bem, porque fazer o bem significava que não mais
necessitavam da misericórdia de Deus pelo resto da vida. Eles não mais viveriam
na misericórdia de Deus.
Meu amigo, o pensamento do homem é totalmente diferente do pensamento de Deus.
Pensamos que podemos agradar a Deus fazendo um pouco. Mas Deus fica feliz
quando permanecemos em Sua graça. Ele diz repetidamente que deseja misericórdia e não
sacrifício (Mt 9:13). Misericórdia é Deus dar algo a você e sacrifício é você
dar algo para Deus. Deus deseja misericórdia. Isso significa que Ele gosta de
dar coisas a você. Ele não quer sacrifício. Isso significa que Ele não quer que
você dê coisas a Ele. Se Deus puder dar coisas, Ele se sentirá feliz. Isso é
salvação. Salvação não é tornar-nos felizes. Salvação é tornar Deus feliz. Deus
gosta de dar as coisas. Ele quer trabalhar continuamente em nós. Ele quer
dar-nos graça. Você pode pensar que isso é suficiente, mas Ele acha que não.
Você é um homem pobre e pode sobreviver com alguns centavos por dia. Mas agora
ganhou alguns dólares. Não é de admirar que você considere isso muita coisa. Se
Deus faz algo, Ele o faz ao máximo. Se você permitir que faça somente um pouco,
Ele não se sentirá alegre. Se quer ser salvo, você deve, voluntariamente, permitir que Deus trabalhe.
Você precisa pedir a Deus que seja misericordioso para consigo. Deus pode
somente ser feliz se Lhe permitem trabalhar dessa maneira. Se continuar
tentando dar algo a Deus, Ele não se sentirá feliz. Quando Deus vê misericórdia
sendo mostrada a você, Ele se alegra. Por isso digo que Deus deseja
misericórdia e não sacrifício.
Gálatas 5:4 diz que não devemos decair da graça. Não diz que não devemos cair
em pecado. O que é abordado aqui não é a questão da salvação, mas a questão do
desfrute. Diante de Deus, não necessitamos mover-nos nem guardar a lei. Não
temos de fazer nada. Devemos apenas permitir que Deus trabalhe em nós e dê-nos
graça. Uma vez que temos obras, decaímos da graça. Portanto, dizer que alguém
decaiu da graça não se refere à questão da salvação e perdição. Decair da graça
é uma questão de desfrutar ou não os benefícios de Cristo para nós.
Decair da graça é uma questão de permitir ou não que a obra de Cristo opere em
nós.
Agradecemos ao Senhor porque salvação significa estar continuamente sob a Sua
misericórdia e sob a Sua graça.
Extraido: www.estudobiblico.com.br/salvacao/----=mimepart_52fb7ac77f443_224d8d688347 87ec Date: Wed, 12 Feb 2014
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